Dobermann

Categoria 0 Comentários 7 Fevereiro, 2018

Classificação F.C.I.

Grupo 2 – Pinscher e Schnauzer, raças Molossóides, Montanheses Suíços e Boiadeiros

Seção 1 – Tipo Pinscher e Schnauzer. Sem prova de trabalho

Nome da Raça em seu país de origem: Dobermann

História da Raça

O Dobermann é a única raça que leva o nome do seu criador de origem, Friedrich Louis Dobermann (02/01/1834 a 09/06/1894).

Senhor Friedrich, ao que tudo indica, era cobrador de impostos, gerente de abatedouro, além de também capturar cães perdidos nas ruas (função da famigerada “carrocinha” de algum tempo atrás).

Desse modo, para exercer o seu ofício, o Senhor Friedrich se dirigia muitas vezes para lugares inóspitos e perigosos – sendo que também podemos imaginar que, com a função de cobrar impostos, provavelmente nem sempre a reação das pessoas era das mais “afetuosas” ao recebê-lo, ainda que morassem em bairros considerados de elite para a época.

Assim, pensando em ter um cão protetor para que o acompanhasse (e muitas vezes para lugares distantes), o Senhor Friedrich efetuou cruzamentos com os chamados “cães de açougue” da época (provavelmente cães que se assemelhavam a um rottweiler “primitivo”) com cães pastores locais que possuíam marcações vermelhas na pelagem, originando, assim, os primeiros cães da raça Dobermann, por volta do ano de 1870, que eram animais atléticos, vigorosos e com alto instinto de proteção.

As raças e/ou os tipos de cães exatos que foram utilizados para se criar o Dobermann ainda são nebulosas: acredita-se que, além dos exemplares acima identificados, também foram utilizados o Dogue Alemão e o Weimaraner, dentre outros cães alemães.

O Senhor Friedrich faleceu no ano de 1894, sendo que a partir daí continuou-se o trabalho de desenvolvimento e aprimoramento da raça, como a conhecemos hoje, sendo carinhosamente chamada pelos mais “íntimos” de “Dobie”.

Importante lembrar que na Primeira Guerra Mundial houve queda acentuada no número de cães, eis que, diante da escassez de alimentos, as pessoas não poderiam se dar ao luxo de terem animais de grande porte.

Tal motivo ocasionou um verdadeiro êxodo de exemplares para os Estados Unidos, atrevendo-se alguns historiadores a acreditar que, se não fossem os estadunidenses, provavelmente a raça teria entrado em extinção.

Aptidão/Temperamento

Dobermann Orelha Natural

O Dobermann é um cão que pode ser utilizado para diversas funções, como exatamente pensou o criador da raça – em ter um cão versátil.

Alguns criadores se dedicam à determinadas linhas de sangue para se obter os chamados “cães de trabalho” (“working dogs”, em inglês), que possuem funções desde a guarda patrimonial até cães policiais/militares, incluindo neste último item não apenas o ataque/proteção, mas também farejamento de drogas e de pessoas em escombros, por exemplo.

Tal versatilidade o coloca como uma das raças mais inteligentes do mundo, ocupando atualmente o 5º lugar no livro denominado “A Inteligência dos Cães”, do autor Stanley Coren.

Espera-se, portanto, que o Dobermann seja um cão ativo, destemido, territorialista e sempre apto ao trabalho (não se esquecendo que para os cães utilizados exclusivamente como “pets”, “trabalhar” significa, muitas vezes, sair para passear! Daí o Dobermann ser um cão sempre disposto para atividades físicas).

Também é um animal muito devoto ao seu dono e à sua família, sendo, pelas características gerais já mencionadas, naturalmente reservado com estranhos (daí ser amplamente utilizado para guarda).

Nesse ponto, importante salientar que antigamente existiam exemplares bem mais agressivos, sendo que tal característica foi atenuada com o passar do tempo pelos criadores, que passaram a fazer uma seleção genética mais específica.

A grande popularidade dos Dobermanns teve seus altos e baixos para a raça: se por um lado as suas qualidades conquistaram diversas pessoas/famílias, por outro, a ascensão da raça fez com que surgissem os chamados “criadores de fundo de quintal”, os quais realizavam cruzamentos sem o menor preparo, o que acarretava em ninhadas com filhotes que possuíam comportamentos muitas vezes imprevisíveis.

Existia (e talvez ainda exista, infelizmente) a equivocada ideia de que os Dobermanns, por terem a cabeça estreita e comprida, teriam o seu cérebro “comprimido” com o tempo por tal característica, fazendo com que o mesmo passasse a ser agressivo inclusive com seus donos.

No entanto, trata-se de mais um mito propagado (provavelmente na década de 80/90) que não encontra qualquer respaldo. Quem possui ou já teve contato com Dobermanns de boas linhagens sabem que são cães afetuosos, extremamente equilibrados, e, consequentemente, apaixonantes!

Essas características o habilitam a ser um cão familiar, convivendo com idosos e crianças, necessitando, neste último caso, sempre da companhia/supervisão de um adulto, como acontece com qualquer raça de porte grande, eis que os cães involuntariamente podem derrubar as crianças mais novas nas brincadeiras e machucá-las sem intenção.

Podem conviver com outros cães, lembrando-se que, por se tratar de animais poderosos e muitas vezes dominantes, pode ocorrer disputa pelo território, especialmente entre os machos.

Pode conviver com outros animais, desde que criados juntos, pois animais pequenos e menores pode instigar o instinto de “caça’ presente em vários cães.

Cuidados Específicos/ Doenças mais Comuns

Dobermann Marrom

O Dobermann é um cão muito rústico, apresentando, em geral, boa saúde. Entretanto, como todos os cães de porte grande, o Dobermann pode sofrer de torção do estômago e principalmente displasia coxofemoral, o que, dependendo do grau, pode trazer bastante sofrimento para o cão.

Importante, portanto, antes de adquirir um filhote, pedir para o proprietário do canil exames que comprovem a ausência de displasia dos pais (sendo ideal que os mesmos sejam “HD –“), eis que tal doença é geneticamente transmissível.

Assim, mesmo que se adquira um filhote saudável e de procedência, os donos devem tomar cuidados com pisos muito escorregadios, sendo ideal que o animal fique a maior parte do tempo em solo firme (“solo firme” em sentido amplo, compreendendo-se neste definição grama, calçada, piso antiderrapante, etc.), para que não venha a causar danos nos animais. Importante notar ainda que cães que ficam a maior parte do tempo em pisos como os já citados e com boa aderência, costumam gastar naturalmente as suas unhas, chegando até a ponto de ser desnecessária o corte das mesmas.

Outras doenças menos comuns são cardiomiopatia, hipotireoidismo, atrofia progressiva da retina, Síndrome de Wobbler, Doença de Von Willebrand.

Características Físicas

De acordo com a CBKC, o Dobermann é um cão de tamanho médio/grande, de forma ligeiramente “retangular”, com boa ossatura e musculatra.

  • Tamanho: A altura na cernelha equivale a 68 a 72 cm para cães machos e é de 63 a 68 cm para as fêmeas. O desejado é um tamanho mediano para tais medidas.
  • Peso: Machos: 40 a 45 kg. Fêmeas: 32 a 35 kg.
  • Trufa: Narinas bem desenvolvidas, mais para largas que para redondas, com aberturas amplas, sem serem proeminentes. Preta, em cães pretos; nos cães marrons, tons correspondentes mais claros.
  • Maxilares/Dentes: Poderosos maxilares, tanto o superior quanto o inferior; mordedura em tesoura; 42 dentes corretamente colocados e de tamanho normal.
  • Olhos: De tamanho médio, ovais e de cor escura. Nuanças mais claras são permitidas em cães marrons. Pálpebras bem aderentes e revestidas por pelos.
  • Orelhas: as orelhas são deixadas naturais e de tamanho apropriado; são inseridas em cada lado no ponto mais alto do crânio e, de forma ideal, caídas rentes às bochechas.
  • Cauda: A cauda é deixada natural e, em termos ideias, portada alta numa curva suave.
  • Pelo: Curto, duro e espesso. Muito bem assentado, liso e igualmente distribuído sobre toda a superfície. Subpelos não são admitidos.
  • Cor: O Dobermann é criado em duas variedades de cor: preto ou marrom, com marcações vermelho ferrugem claramente definidas e limpas. As marcas estão sobre o focinho, nas bochechas, acima dos olhos, na garganta, duas marcas no antepeito, nos metacarpos, metatarsos e patas, na face interna das coxas, nos braços e sob a cauda.

Curiosidades

Como mencionado anteriormente, muitos Dobermanns migraram para os Estados Unidos no período da guerra.

Embora não tenham ocorridos diferenças tão grandes a ponto de se criar uma nova raça (como aconteceu com o Akita Inu e com o Akita Americano), a verdade é que a linhagem americana difere substancialmente da europeia.

Os americanos basicamente atenuaram as características chave da raça: passou de um cão de trabalho para um cão de família, exposição e de obediência.

A linhagem europeia busca um cão mais “tradicional”, voltado às suas origens, daí termos inclusive diferenças morfológicas: enquanto a criação europeia valoriza cães maiores, mais pesados e com peito proeminente, os americanos preferem um cão esguio, elegante e de movimentação mais suave.

Dobermann Criação AmericanaDobermann Criação Européia

Outra curiosidade é que o Dobermann costumava ter a cauda e a orelha cortadas, mas tal procedimento ficou proibido no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, através da sua Resolução nº 1.027, de 10 de Maio de 2013.

A argumentação é a de que tal procedimento é um tipo de “mutilação”, e que possui fins exclusivamente estéticos.

Como era uma prática muito comum e apreciada por diversos criadores e proprietários (eis que o corte de cauda e orelhas deixa o animal com uma aparência ainda mais “elegante” e esguia), a cirurgia ainda costuma ser realizada clandestinamente, e o que é pior, algumas vezes por criadores que não possuem qualquer habilitação para tanto.

Diversas outras raças passavam pelo mesmo procedimento (alguns apenas faziam a cirurgia de orelhas; outros, apenas da cauda), como Boxer, Dogue Alemão, Cane Corso, Dogo Canário, Dogo Argentino, Rottweiler, Cocker, pischer, schnauzer, entre outros.


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