Akita

Categoria 0 Comentários 31 Janeiro, 2018

Classificação F.C.I.

Grupo 5 – Spitz e cães do tipo primitivo

Seção 5 – Spitz Asiáticos e raças assemelhadas. Sem prova de trabalho

Nome da Raça em seu país de origem: Akita

História da Raça

Nos primórdios, todas as raças japonesas eram pequenas, muito provavelmente pelo fato de que cães pequenos eram mais fáceis de se cuidar em um país conhecido pelo seu território diminuto e com alta densidade populacional.

Desde 1603, os cães provindos da província “Akita”, localizada na Ilha Honshu, no Japão, possuíam porte médio e eram conhecidos como “Akitas Matagis”, sendo utilizados para caça ao urso e para combates (as populares rinhas de cães, “esporte” muito apreciado antigamente e felizmente em franca queda nos dias de hoje).

Com o objetivo de aumentar o seu tamanho e fazê-los mais aptos para a caça ao urso e outros animais de grande porte como o javali, iniciou-se, por parte dos criadores, a miscigenação dos “Akitas Matagis” com outras raças de grande porte, como Tosa Inu e Mastiff (alguns até acreditam que houveram acasalamentos com São Bernardos, mas tal fato não é exatamente muito claro na história).

O tamanho da raça de fato aumentou com tais cruzamentos, entretanto, o perfil de cão “Spitz” se perdeu quase que por completo, passando a se assemelhar, desse modo, com um cão do tipo “Molosso”.

Em 1908 as rinhas de cães foram proibidas no Japão, mas continuam a existir de forma clandestina.

A fundação AKIHO (Akita Inu Hozonkai) nasce em 1927 tendo como objetivo purificar os cães da província de Akita, sendo que o “Matagi” é tido como modelo.

Em 1931, nove excepcionais exemplares dessa raça foram designados como “Monumentos Históricos” no Japão, sendo que, no ano seguinte, em 1932, um exemplar da raça de nome “Hachiko” faz com que o Akita ganhe popularidade nacional no Japão.

O Período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi considerado trágico para o Akita, eis que na época era comum o uso de pele de cães como fonte para vestes militares para proteção ao frio.

Além disso, a escassez de comida fez com que o governo determinasse a captura e morte de todos os cães, principalmente os de grande porte, exceto o Pastor Alemão, que era utilizado como cão policial/militar.

Muitos criadores, tentando burlar tal determinação, efetuaram o cruzamento de Akitas com Pastores Alemães, eis que os filhotes resultantes possuíam, em geral, “máscara negra”, o que ajudava a enganar os soldados, que, por não conhecerem a fundo as raças, acreditavam que tais filhotes eram pastores com alguma coloração “exótica”.

Vários desses filhotes foram vendidos para soldados americanos que os levaram à sua terra natal e continuaram com a criação dos mesmos. Embora falaremos disso em outro tópico, cumpre registrar que tais cães miscigenados acabaram por originar outra raça: o Akita Americano.

Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, o número de Akitas estava drasticamente reduzido e existiam em três tipos distintos:

  • Akitas Matagis;
  • Akitas de combate;
  • Akitas/Pastores.

Tais variedades criaram uma situação de grande confusão na raça, diante da enorme variedade física que tais cães apresentavam.

Após a Guerra houve um movimento de restauração do padrão original da raça, ou seja, um cão de grande porte mas com aparência eminentemente de cães do tipo “Spitz”.

Interessante observar que nessa época, “Kongo-Go”, um cão com linha de sangue “Dewa”, que exibia características do Mastiff e Pastor Alemão, teve grande popularidade no país.

Muitos criadores tradicionais se recusavam a aceitar cães com essas características de raças estrangeiras, motivo pelo qual passaram a fazer cruzamentos com os Akitas Matagis, com o propósito de restabelecer o tipo original da raça.

A proposta de “resgate” do Akita Original foi bem sucedida, observando-se grande diferença entre este e o Akita Americano nos dias atuais, muito embora ainda exista certa variedade na aparência física de vários Akitas atuais.

Aptidão / Temperamento

Akita pelo Curto

O Akita é um cão com grande aptidão para guarda, possuindo temperamento discreto, calmo, sereno, fiel e extremamente leal para o seu dono.

Dificilmente late (a ponto de alguns vizinhos até estranharem quando descobrem que a casa ao lado possui um cachorro, e de guarda, ainda por cima!), só dando o alarme para um perigo real. Ou seja, o Akita definitivamente não é o tipo de cão que corre de um lado para o outro no portão rosnando e latindo para qualquer estranho que passe na frente do seu território.

Reservado, o Akita costuma ser desconfiado com desconhecidos, não sendo o tipo de cão que fará “festa” para os convidados do seu dono.

Importante lembrar que, caso deseje que o seu cão aceite visitas (as quais, na visão do animal, se trata de um “invasor” do território), o dono deve socializá-lo desde pequeno nesse sentido, eis que a guarda é realizada instintivamente pela raça, sem necessidade de adestramento específico para tanto (alguns criadores inclusive não recomendam o adestramento para guarda, para evitar que o cão se torne excessivamente agressivo).

A raça não tolera muito bem a presença de outros cães do mesmo sexo, eis que há a probabilidade de disputa entre eles, mas pode conviver relativamente bem com outros animais.

Por ser extremamente tranquilo, é uma raça de grande porte que até pode ser criada em ambientes pequenos, como apartamentos, mas, nestas condições, necessário que o dono realize caminhadas uma ou duas vezes ao dia, pelo menos.

Também não é um cão exatamente muito adepto a “esportes radicais”, preferindo passeios calmos e leves corridas do que atividades exaustivas. Por tal motivo provavelmente não será um cão que fará muito sucesso com as crianças.

É um cão que cativa muitas pessoas com seu jeito tranquilo de ser, pois, ao mesmo tempo em que é um animal afetuoso, não é do tipo “carente” que exige atenção a todo momento e fica pulando nas pessoas. Não, o Akita prefere ser discreto até nas demonstrações de carinho.

Pode ser considerado como um cão um pouco “teimoso” e que pode desenvolver o senso de liderança do local, motivo pelo qual a raça requer pulso firme desde cedo, para que aprenda limites e não se torne desobediente.

Cuidados Especiais / Doenças mais Comuns

Akita

O Akita é um cão muito rústico, apresentando, em geral, boa saúde. Entretanto, como todos os cães de porte grande, o Akita pode sofrer de torção do estômago e principalmente displasia coxofemoral, o que, dependendo do grau, pode trazer bastante sofrimento para o cão.

Importante, portanto, antes de adquirir um filhote, pedir para o proprietário do canil exames que comprovem a ausência de displasia dos pais (sendo ideal que os mesmos sejam “HD –“), eis que tal doença é geneticamente transmissível.

Assim, mesmo que se adquira um filhote saudável e de procedência, os donos devem tomar cuidados com pisos muito escorregadios, sendo ideal que o animal fique a maior parte do tempo em solo firme (“solo firme” em sentido amplo, compreendendo-se neste definição grama, calçada, piso antiderrapante, etc.), para que não venha a causar danos nos animais. Importante notar ainda que cães que ficam a maior parte do tempo em pisos como os já citados e com boa aderência, costumam gastar naturalmente as suas unhas, chegando até a ponto de ser desnecessária o corte das mesmas.

O Akita ainda pode ter sensibilidade ao sol (principalmente os cães brancos e com trufa na cor carne) e irritação na pele, hipotireoidismo e algumas doenças nos olhos.

Costuma ter uma troca total do pelo cerca de duas vezes ao ano, e apresenta uma queda moderada de pelos nos outros períodos, não necessitando de banhos frequentes.

Características Físicas

De acordo com a CBKC, o Akita é um cão de tamanho médio/grande, possuindo as seguintes características principais:

Akita

  • Tamanho: A altura na cernelha equivale a 67 cm para cães machos e é de 61 cm para as fêmeas, havendo tolerância de 3 cm para mais ou para menos em ambos os casos, desde que seja um animal com proporções corretas.
  • Peso: Não estipulado pelo padrão da raça.
  • Trufa: Ampla e preta. Leve e difusa falta de pigmentação somente é aceita em cães brancos, mas a preta é sempre preferida.
  • Maxilares/Dentes: Dentes fortes com mordedura em tesoura.
  • Olhos: Relativamente pequenos, de formato quase triangulares devido à elevação do canto externo do olho, inseridos moderadamente separados, cor marrom escuro: quanto mais escuros, melhor.
  • Orelhas: Relativamente pequenas, grossas, triangulares, ligeiramente arredondadas nas extremidades, inseridas moderadamente separadas, eretas e inclinadas para frente.
  • Pelo: Pelo externo duro e reto, subpelo macio e denso; a cernelha e a garupa são revestidas com um pelo ligeiramente mais comprido; o pelo da cauda é mais longo que o do resto do corpo.
  • Cor: Vermelho-fulvo, sésamo (pelos vermelho-fulvo com as pontas pretas), tigrado e branco. Todas as cores acima mencionadas, exceto a branca, devem apresentar o “urajiro”. (Urajiro: pelagem esbranquiçada nas laterais do focinho, nas bochechas, na face ventral da mandíbula, pescoço, peito, tronco e a cauda e na face interna dos membros).

Curiosidades

O Akita mais famoso de todos os tempos foi “Hachiko”, que ficou conhecido por aguardar por muitos anos, em uma estação de trem, o retorno de seu dono que havia falecido.

Hachiko inspirou o filme japonês “Hachiko Monogotari” (1987) e o remake americano “Sempre ao seu lado (2009)” – “Hachi: A Dog’s Tale”, em inglês, com o ator Richard Gere.

Ele foi homenageado em sua terra natal, ainda em vida, com uma estátua de bronze e honrarias.

Após sua morte em 1935, foi empalhado e continua sendo exposto no Museu Nacional de Ciência do Japão.

Curioso é que, no filme “Sempre ao seu lado”, na fase de filhote do cão não foi utilizado um exemplar da raça Akita, mas sim, da raça Shiba, que é muito parecido com o Akita, assemelhando-se, em realidade, a sua “miniatura” (como ocorre com o Collie e o Pastor de Shetland, por exemplo).

Tal fato ocorreu porque, parecendo miniaturas de Akita, os diretores puderam pegar Shibas mais adultos, e, consequentemente, adestrados para realizar o que desejavam nas cenas.

Outra curiosidade/peculiaridade da raça é que não se recomenda cruzamentos sucessivos entre cães brancos, eis que os filhotes podem nascer com problemas, como a despigmentação do nariz, das pálpebras e dos lábios, manchas amareladas nas pontas das orelhas e em parte do dorso, além de pelo e subpelo curtos demais.

Esses problemas raramente acontecem quando se acasalam cães com tonalidades diferentes.

Akitas de Pelo Longo

O pelo longo no Akita é considerado uma falta desqualificante, motivo pelo qual um exemplar que apresente tal característica não poderá participar de exposições de beleza e nem ser utilizado em plantel de canis.

Entretanto, a variedade de pelo longo possui as mesmas qualidades dos demais Akitas, podendo ser usado tranquilamente para companhia e para guarda.

Algumas pessoas afirmam que os Akitas de pelo longo possuem características diversas da variedade de pelo curto, destacando-se entre ela a docilidade, que é mais acentuada. Contudo, tais afirmativas não são unanimidade entre os criadores, sendo que alguns chegam a asseverar que isso se trata de um mito.

Existe uma teoria que diz que o gene de pelo longo foi introduzido por volta de 1905, após o término da guerra entre Rússia e Japão.

Hokkaido é uma ilha do Japão separada das ilhas Sakhalin, que foi anteriormente de domínio russo e popularmente chamada de Karafuto.

Após o término da guerra, a mesma voltou a ser território japonês e possuía grande movimento local pela existência de indústria pesqueira.

Devido ao grande intercâmbio de pessoas, ocorreram acasalamentos entre cães da região de Hokkaido e Karafuto, sendo que o gene de pelo longo foi introduzido por estes últimos cães.

Os cães de Karafuto não existem mais, mas eram conhecidos pelo sua docilidade e obediência, daí a teoria de que os cães que herdaram o gene do pelo longo consequentemente também herdaram uma maior docilidade.

Akita pelo CurtoAkita pelo Curto


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